
É fadista sim senhor! O coro de vozes em uníssono quando cantava. Aquele homem elegante, com o bigode carismático, e a postura de bairrista assumido, considerado pela classe fadista como REI da nobre arte. Como cantou e encantou. Tantos fados emblemáticos como esse ícone 'A Igreja de Santo Estêvão' e a cantar por todo o lado. Assinale-se ainda de Mário Rainho o lindo fado 'O irmão da juventude'!
A Mouraria era o seu bairro. De nascimento e do coração. Foi na Rua do Capelão que veio ao mundo. E já aos oito anos de idade cantava na taberna da rua de sua casa. E o miúdo cantava mesmo! Cantou em quase todos os retiros fadistas. Do "Café Latino" ao "Vera Cruz" e "Retiro dos Marialvas" de antigamente, até o "Café Luso" na "Adega Machado" e no "Faia", entre outras.
Um homem solitário e sempre presente quando era preciso ajudar. Por essa sua dádiva Fernando Maurício deixou de se filiar nas gravações do fado e com muita pena dos seus admiradores. Mesmo assim gravou discos que ficam na memória de todos. E viajou como fadista de renome pelo estrangeiro cantando e espelhando a sua forma mágica de cantar. E como ele cantava!
Nas "Grandes Noites do fado" no Coliseu e a acabar de manhã fora, Maurício tinha que ser um dos nomes da festa. Onde era aclamado como o REI e SENHOR de todos os bairros afadistados desta Lisboa.
A 15 de Julho de 2003 partiu para sempre. Deixando o seu legado de belos fados. Ele era raro, sabia personificar os fados!
O CANTOR QUE NÃO GOSTAVA DE HOMENAGENS
Avesso ao beija-mão, a homenagens e afins, não gostava de ser bajulado por coisa nenhuma. Mas ganhou Prémios, Troféus de Prestígio e de Carreira. Foi agraciado com a Comenda Ordem de Mérito, Amália que tanto o amava pelo fadista de raça que era descerrou na rua onde ele nasceu duas lápides: a da Severa e a de Fernando Maurício.
1 comentário:
GRANDE FERNANDO MAURICIO
Comovida agradeço a sua transcrição do artigo de um senhor jornalista que muito prezo.
Abraço
Maria Eduarda Monteiro Silvério
Newark
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