

Quanto pesa a responsabilidade de um cargo ?
Observa-se que muitos perseguem nomeações para cargos e disputam, com ardor, lugares que lhes conferirão autoridade sobre os outros.
Contudo, quando assumem postos de comando esquecem-se dos objectivos reais para os quais foram ali colocados, passando a agir em seu próprio favor.
Tal posição nos recorda a história de um homem que foi nomeado mandarim, uma espécie de conselheiro na China.
Envaidecido com a nova posição, pensou em mandar confeccionar roupas novas.
Seria um grande homem, agora. Importante !
Um amigo recomendou-lhe que buscasse um velho sábio, um alfaiate especial que sabia dar a cada cliente o corte perfeito.
Depois de cuidadosamente anotar todas as medidas do novo mandarim, o alfaiate perguntou-lhe há quanto tempo ela era mandarim. A informação era importante para que ele pudesse dar o talhe perfeito à roupa.
Ora, perguntou o cliente, o que isso tem a ver com a medida do meu manto ?
Paciente, o alfaiate explicou: a informação é preciosa.
É que um mandarim recém-nomeado fica tão deslumbrado com o cargo que anda com o nariz erguido, a cabeça levantada. Nesse caso, preciso fazer a parte da frente maior do que a de trás.
Cargos e funções, são sempre responsabilidades que nos são oferecidas pela divindade para nosso progresso.
Não há motivo para vaidade, acreditando-se superior ou melhor que os outros.
Quando Pilatos assegurou a Jesus que tinha o poder de vida e morte, e que em suas mãos estava o destino de suas horas seguintes, o Mestre alertou-o: "Procurador, a autoridade de que desfrutas não é tua; foi-te concedida poderá ser-te retirada."
De facto isso veio a acontecer.
Apenas poucos anos após a morte de Jesus, o poder de Roma retirou do procurador da Judéia, Pôncio Pilatos toda a autoridade. Ele perdeu o cargo, o prestígio, e tudo que acreditava fosse eterno em suas mãos.
A autoridade de que nos vejamos investidos deve ser exercida sem jamais ferir a justiça.
No desempenho dos nossos deveres, recordemos que só uma autoridade é soberana: aquela que procede de Deus, por ser a única legítima.
Pensamento da Semana
" A adversidade leva alguns a serem vencidos, e outros a baterem recordes"
William Arthur Ward
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Mano Belmonte
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Por: Álvaro José Ferreira
A abertura de noticiários com futebol e o peso excessivo que o mesmo tem na programação da Antena 1 foi uma das questões que o Provedor do Ouvinte, Adelino Gomes, teve a louvável iniciativa de levar ao seu programa, na edição de 10 de Outubro. A questão é deveras pertinente e a resposta dada pelo director de informação, João Barreiros, não pode deixar de ser motivo de preocupação para quem preza do serviço público de rádio. Para este senhor, o futebol deve ser tratado no mesmo plano, e com a "mesma dignidade" (sic), que os assuntos políticos, sociais, económicos, científicos e culturais. Mas em que país é que estamos ? Terá realmente o futebol a mesma importância e revelância que todos os outros assuntos que mexam com a nossa vida ? Vamos lá ver se nos entendemos. Quando o Paulo Bento, com o seu estilo peculiaríssimo e risível, se põe a debitar banalidades sobre um jogo que ainda não aconteceu, isso terá o mesmo valor informativo que, por exemplo, o lançamento de um romance de José Saramago, a estreia de um filme de Manoel de Oliveira ou descoberta de uma vacina ? Não, definitivamente não tem. Pelo menos assim pensa quem ainda tem algum senso e não vive em estado de alucinação futebolística. Bem, eu falei do Paulo Bento por ser o caso mais anedótico mas a minha asserção vale para qualquer outro treinador ou jogador de futebol, independentemente do clube. Mas a verdade é que os noticiários da Antena 1 passaram a estar pejados desse género de lixo, e não é raro essa pseudo-informação ter primazia, em destaque e em tempo de antena, relativamente a assuntos de importância realmente superior.
E aqui nem há nenhuma particular antipatia face ao futebol: o que se disse é igualmente aplicável a qualquer outra modalidade desportiva e, já agora, também às touradas, às lutas de galos, às corridas de cães, etc. E nem vale a pena vir dizer que o futebol é um desporto com muitos adeptos, logo de grande interesse público. Por essa ordem de ideias, também teria de haver pena de morte em Portugal porque a generalidade da população desejaria que ela existisse. Mas o nosso ordenamento jurídico proíbe-a, e muito bem. Isto para dizer que nem todos os desejos da populaça devem ser atendidos e, muito menos estimulados. As estações privadas, por razões estritamente comerciais, até podem enveredar por esse caminho (ainda assim não sem a regulação de uma entidade supervisora) mas tal não deverá acontecer com a rádio pública, que por ser financiada pelos contribuintes tem a obrigação de se reger por outros critérios. E que critérios são esses ? O equilíbrio, a justa medida, o rigor, a verdade, a imparcialidade, a atenção ao essencial em, detrimento do acessório, o bom gosto, e subjacente e transversal a tudo isso num apurado sentido de serviço público. E nesse conceito de serviço público caberá inevitávelmente a componente pedagógica e formativa dos auditórios coisa muito diferente da "informação" de encher chouriços, por muitos saborosos e apetecíveis ditos ( os verdadeiros) possam ser.
A propósito, porque motivo os noticiários da Antena 1, ao virar da hora, hão-de ter sempre quinze minutos de duração ?
Em conclusão: atribuir ao futebol (e outros tipos de entretenimento) o mesmo valor e dignidade das actividades verdadeiramente importantes para a vida humana, só pode decorrer de uma ideia conceptualmente errada e destorcida, em primeiro lugar relativamente ao que merece ou não ser objecto de notícia e, em segundo, da relevância informativa da matéria em apreço. Entretenimento deve ser ser tratado como tal. Porque é estúpido, estupidificante e, pior ainda, alienante atribuir-lhe uma importância que por natureza ele não tem. Não terá o futebol, hoje em dia, a mesma função que tinha o circo no tempo dos Romanos ?
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Mano Belmonte