(Mário Quintana)
Acerca de mim
Capa exterior do último CD em alusão aos 50 Anos de Carreira de MB.
CD «50 ANOS DE CANTIGAS» (Compilação de 20 temas musicais de sucesso na carreira do artista Mano Belmonte)
Capa interior do último trabalho em CD "MB - «50 Anos de Cantigas».
MB - Resumo biográfico pelo Jornalista José Mário Coelho - Toronto/Canadá 2010
Jornal "Portugal Ilustrado" - Toronto/Canadá
RECOMEÇAR...
-Recomeçar-
Com mais de três décadas a vivermos na diáspora, fechamos os olhos tentando fazer uma retrospetiva das coisas boas e menos boas que nos aconteceram ao longo dos anos...Batemos de frente com um enorme painel branco na nossa mente, reprimimos a vontade de um choro convulsivo para, de imediato, pensarmos que, hoje, é um bom dia para enfrentar novos desafios...
O ser humano é feito, entre outras coisas, de sonhos, ideais, expectativas...
O futuro, apesar dos percalços e obstáculos do presente, sempre se desenha com bons ventos, melhorias e conquistas. Por isso, sempre devemos prosseguir lutando, doando o melhor de nós na busca de objectivos e metas.
Neste percurso, à medida que nos esforçamos, alcançamos degraus intermediários e vitórias parciais que nos animam e estimulam em frente. Ser reconhecido pelos que nos cercam, parentes, amigos ou gente anónima, é um grande incentivo.
Dizer-lhes o quanto foi importante todo este carinho e amor dedicados ao longo dos anos, os elogios reconhecendo virtudes, tendo em mente que colhemos tudo o que plantamos nesta escalada da montanha da vida onde aprendemos a subir e a descer, cair e levantar, mas voltar sempre com a mesma coragem. Não desistir nunca de uma nova felicidade, uma nova caminhada, uma nova paisagem, até chegar ao topo da montanha .
Recomeçaremos por abrir novos espaços mentais e físicos. Aproximarnos-emos, dos familiares, dos velhos amigos, de pessoas alegres e sem preconceitos, da terra que nos viu nascer... Atirar para longe os ressentimentos, as mágoas, os melindres que impedem a felicidade entrar.
Dividirnos-emos entre duas Nações que amamos e repartiremos nosso coração entre chegadas e partidas, alegrias e ânsias.
Recomeçar uma nova vida é só uma questão de querer. Se quisermos. Deus quer.
Mano Belmonte
BLOG «Canções & Emoções» por Mano Belmonte
terça-feira, setembro 15, 2009
Crónica de Coimbra
Mas que "negociatas"!
Acerca de meia dúzia anos, ficámos a saber, por colorido anúncio dos jornais, que as Presidências da União Europeia e da União da Europa Ocidental se fazem "sob o patrocínio" de nove empresas de fotocópias, computadores, televisões, café, refrigerantes, automóveis e telefones. A obscenidade passou despercebida. Aliás, as obscenidades passam sempre ao lado da decência. Vendem mais! "A mercantilização chegou à política. Sem sponsors, os organismos representativos da soberania popular já não conseguem ter meios para reunir. Ou, se têm meios, preferem demonstrar que estão na onda".
Analisando, detalhadamente, a quantidade de "vedetas" que proliferam e deambulam por este nosso País, a comercializarem seus físicos por estas revistas cor-de-rosa, sob a patronagem de champôs, telemóveis, detergentes, cremes para as rugas e outros, qualquer dia vamos ver os nossos ministros a aconselhar a "banha da cobra" para as "barrigas inchadas"! O Parlamento poderia vender patrocínios. Os Governos também. Vender-se-iam sessões parlamentares, uma a uma, segundo os temas em debate. Ou mesmo, promoverem um novo "talent-show" na televisão, apresentando novas versões de propaganda política. Os duelos seriam renhidos, e ficariam a cargo dos jurados: Manuela Moura Guedes e o distinto Advogado Dr Marinho Pinto, bem como reuniões do Conselho de Ministros. Missas, enterros, casamentos e exames universitários, seriam igualmente patrocinados, pelas centenas de marca de águas minerais e telemóveis. As enfermarias, os centros de saúde e as prisões seguiriam o mesmo caminho. E nem esqueceríamos as Polícias e as nossas Forças Armadas. Já pensaram, por exemplo, no impacto que teria, contemplarmos os nossos tanques e carros de combate, a passearem-se pelas estradas, com José Castelo Branco, a Lili Caneças, a Elsa Raposa e outros "famosos", montados nesses blindados, agarrados aos canhões de elevado calibre, anunciando marcas de sardinhas, colchões ortopédicos e vinho verde? E, como "consideram a política um negócio, a soberania um consumo, a eleição um mercado, a representação nacional um espectáculo e a presidência europeia uma encenação, porque razão não haveriam de vender-se ao melhor preço"? Não seriam grandes "negociatas"? Tanta hipocrisia, meu Deus! Tanta despesa supérfula! Tantas "belezas" vazias e convencidas (artistas e actrizes de "meia-tigela"), ornamentadas de jactância e ... tanta gente desempregada e na miséria! O artificialismo e a vanalidade destas propagandas, não passam de puro exibicionismo e comercialização. Uma loucura!
" Vanitas vanitatum et omnia vanitas"! "Vaidade das vaidades e tudo é vaidade!
Cruz Santos
Coimbra Portugal
Cantora de 92 anos no top de vendas do Reino Unido

Uma colectânea de Vera Lynn, conhecida por cantar para os soldados durante a II Guerra Mundial, destronou os Arctic Monkeys...
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segunda-feira, setembro 14, 2009
sábado, setembro 12, 2009
Foi descoberto o segredo do tesouro da IURD
O fundador e nove membros da IURD são acusados de usar dinheiro dos fiéis.Era sempre assim. Quando a música baixava e os apelos do pastor deixavam de se ouvir, os fiéis levantavam os joelhos do chão para depositar o dinheiro no altar. Lá fora, as dúvidas permaneciam.
Durante 32 anos. a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) rejeitou todas as suspeitas de corrupção, mas elas nunca desapareceram. Agora colaram-se à instituição para sempre. O Ministério Público de São Paulo acusou o fundador, Edir Macedo, e outros nove membros de associação criminosa e lavagem de dinheiro.
As três décadas de história da IURD contam-se com somas milionárias, multidões de fiéis, discursos inflamados e, sobretudo, suspeitas. Logo em 1977, uma inspecção da Receita Federal sugere que a igreja deve perder a imunidade fiscal porque está a ser usada para ganhar dinheiro - segundo a Constituição do país, o património e as fontes de rendimento das igrejas só podem ser utilizados para actividades religiosas e nunca para a obtenção de lucro. Uma década depois, a mesma instituição elabora um estudo para regulamentar as doações de dinheiro relacionadas com a fé. A proposta nunca foi aprovada.
O VÍDEO DO DÍZIMO - Outras dúvidas são levantadas quando, em 1995, Edir Macedo surge num vídeo a ensinar aos pastores como pedir dinheiro aos crentes. "Se você se mostrar chocho, o povo não confia em você. Você tem de falar como se fosse o super-herói do povo. Peça, peça...Se houver alguém que não dê, há um montão que vai dar", explicava com uma exuberente coreografia de braços.
Desde que o vídeo foi divulgado, a instituição foi exaustivamente investigada, mas pouquíssimas irregularidades ficaram provadas nos dez processos que foram instaurados.
O Código Penal brasileiro não inclui práticas religiosas. Se alguém quiser doar todo o seu património à igreja, tem toda a liberdade para o fazer. Assim, para condenar os líderes da igraja, um objectivo era fundamental: provar que o dinheiro doado estava a enriquecer os líderes da igreja e não a financiar obras de caridade.
Era preciso descobrir o percurso do dinheiro desde que saía dos bolsos dos crentes até ser usado para pagar a construção de uma mansão de 6000 m2 (como a construída por Edir Macedo em 2007). É isto que, após dois anos de investigação, os procuradores acabam de conseguir. Entre 2001 e 2008, a IURD recebeu mais de 3 mil milhões de euros doados pelos seus 8 milhões de seguidores. Metade do dinheiro foi colocado na caixa do dízimo dos templos, a outra metade chegou através de 4015 transferências bancárias. Nenhum deste dinheiro pagou impostos.
EMPRESAS FANTASMA - Alguns destes milhões foram depois utilizados em pagamentos a duas empresas-fantasma: a Cremo Empreendimentos e a Unimetro Empreendimentos. Só em 2004 e 2005, estas empresas ( que não emprestam um único serviço) movimentaram 27 milhões de euros, garantiu à revista "Veja" fonte da Secretaria da Fazenda.
A paragem seguinte destes milhões eram duas empresas sedeadas em paraísos fiscais nas ilhas Caimão e nas do Canal ( a Investholding e a Cableinvest). Sob a forma de empréstimos a executivos da IURD, o capital regressava depois à terra natal para ser aplicado na compra de aviões particulares ( como um Cessna de 1 milhão de euros), mansões ou para ser investido no império que a igreja construiu na comunicação social - 22 canais de televisão e 42 estações de rádio
sexta-feira, setembro 11, 2009
quinta-feira, setembro 10, 2009
Crónica de Coimbra

Médicos e as nossas frustações!
Os médicos têm uma profissão nobre e ao mesmo tempo gratificante, porque se auto-sustêm, isto é, eles ganham a vida dando a vida, ao contrário dos agentes funerários, que se mantêm do lado de cá à custa dos que passam para o lado de lá! Em Portugal, tendo em conta a sempre exígua quantidade de diplomados em medicina, sobra sempre, um alto número de doentes para um médico. Doenças crónicas - que aparecem poucas vezes, porque, regra geral, vêm para ficar. Sazonais, que chegam em determinadas alturas do ano. Oscilantes que variam de ocasião, localização ou intensidade, consoante a vontade de trabalhar do seu portador. Dir-se-á: "há muita gente que julga estar doente, mas não está. E...vice-versa! Os hipocondríacos por exemplo, estão, geralmente sempre doentes e são detentores de quase todas as doenças! Mas, a doença moderna que gera centenas de milhares de pessoas a irem ao médico, não é gripe, mas sim, o stress"!
Pessoas, que podem ser vítimas de stress financeiro, de stress existencial, de perdas, de competição predatória, de frustações excessivas, enfim, de uma série de variáveis que delapidam o seu património psíquico, em especial o seu prazer de viver. Diariamente, inúmeras pessoas ricas ou pobres, pertencentes às mais diversas sociedades, são vítimas de sequestros agressivos. Os sequestradores estão alojados dentro de si mesmos, passam a vida enclausurados nas imagens mentais deprimentes e nos pensamentos mórbidos confeccionados clandestinamente no seu psiquismo. É raríssimo encontrar um ser humano verdadeiramente livre. Estão frequentemente inertes, calados e são silenciados no único lugar em que deveriam gritar e revoltarem-se. Distribuem um sorriso social, que nem sempre espelha o clima emocional que lhes vai na alma.
A pressão da existência empurra as pessoas para os buracos da depressão, e estas, vivem aterrorizadas, não conseguindo realizar os seus sonhos porque, estes, converteram-se em actos de terror, que acabam por lhes afectar a inteligência; porque ainda não perceberam que os seus maiores imimigos, se encontram alojados na sua mente e não no teatro social. Deste modo, deveriam lutar, contra essas mazelas psíquicas, mas...intimidam-se. E no exterior, quando deveriam agir com tolerância, tornam-se combativos e magoam quem não merece.
Vivem numa sociedade superficial, que não calibra esses excessos, errando frequentemente o alvo.
Cruz Santos
Coimbra/Portugal
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Os médicos têm uma profissão nobre e ao mesmo tempo gratificante, porque se auto-sustêm, isto é, eles ganham a vida dando a vida, ao contrário dos agentes funerários, que se mantêm do lado de cá à custa dos que passam para o lado de lá! Em Portugal, tendo em conta a sempre exígua quantidade de diplomados em medicina, sobra sempre, um alto número de doentes para um médico. Doenças crónicas - que aparecem poucas vezes, porque, regra geral, vêm para ficar. Sazonais, que chegam em determinadas alturas do ano. Oscilantes que variam de ocasião, localização ou intensidade, consoante a vontade de trabalhar do seu portador. Dir-se-á: "há muita gente que julga estar doente, mas não está. E...vice-versa! Os hipocondríacos por exemplo, estão, geralmente sempre doentes e são detentores de quase todas as doenças! Mas, a doença moderna que gera centenas de milhares de pessoas a irem ao médico, não é gripe, mas sim, o stress"!
Pessoas, que podem ser vítimas de stress financeiro, de stress existencial, de perdas, de competição predatória, de frustações excessivas, enfim, de uma série de variáveis que delapidam o seu património psíquico, em especial o seu prazer de viver. Diariamente, inúmeras pessoas ricas ou pobres, pertencentes às mais diversas sociedades, são vítimas de sequestros agressivos. Os sequestradores estão alojados dentro de si mesmos, passam a vida enclausurados nas imagens mentais deprimentes e nos pensamentos mórbidos confeccionados clandestinamente no seu psiquismo. É raríssimo encontrar um ser humano verdadeiramente livre. Estão frequentemente inertes, calados e são silenciados no único lugar em que deveriam gritar e revoltarem-se. Distribuem um sorriso social, que nem sempre espelha o clima emocional que lhes vai na alma.
A pressão da existência empurra as pessoas para os buracos da depressão, e estas, vivem aterrorizadas, não conseguindo realizar os seus sonhos porque, estes, converteram-se em actos de terror, que acabam por lhes afectar a inteligência; porque ainda não perceberam que os seus maiores imimigos, se encontram alojados na sua mente e não no teatro social. Deste modo, deveriam lutar, contra essas mazelas psíquicas, mas...intimidam-se. E no exterior, quando deveriam agir com tolerância, tornam-se combativos e magoam quem não merece.
Vivem numa sociedade superficial, que não calibra esses excessos, errando frequentemente o alvo.
Cruz Santos
Coimbra/Portugal
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Parecia greve de zelo
Como se
estivesse em greve de zelo, com o serviço mínimo de apenas quatro remates à baliza da Hungria, Portugal alcançou em Budapeste a terceira vitória na qualificação para o Mundial, graças a mais um golo de bola parada, de Pepe. Numa das mais pobres exibições de que há memória, salvou-se o essencial e a possibilidade de chegar ao 2.o lugar do grupo...
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Adapt. Mano Belmonte
estivesse em greve de zelo, com o serviço mínimo de apenas quatro remates à baliza da Hungria, Portugal alcançou em Budapeste a terceira vitória na qualificação para o Mundial, graças a mais um golo de bola parada, de Pepe. Numa das mais pobres exibições de que há memória, salvou-se o essencial e a possibilidade de chegar ao 2.o lugar do grupo...Ler notícia completa
Adapt. Mano Belmonte
Susan Boyle lidera...

A cantora revelada no programa 'Britain's Got Talent', Susan Boyle, está à frente na tabela de pré-vendas de discos na Internet...
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quarta-feira, setembro 09, 2009
Eu conto como foi - MARIA CLARA

Uma grande senhora. Sabia aliar um incrível bom gosto na forma como surgia elegantemente vestida e a cantar com aquela voz tão rara, inconfundível. Foi uma artista de primeiríssimo plano. Quando surgiu na estreia da opereta musical "Costureirinha da Sé", no velho Sá da Bandeira do Porto, o público reagiu com entusiasmo ao seu talento. Ela era diferente de todas as cantoras de então. O registo da sua voz cativou. Uma voz de cambiantes maravilhosos, transmitindo uma sonoridade invulgar. A crítica elege-a como 'um novo estilo na música portuguesa'.
A rádio passava os seus discos famosos. Gravou mais de uma centena de canções.
Interpretou temas dos melhores autores. Ficam no imaginário colectivo a 'Marcha dos Combatentes', 'As Pedras que Tu Pisas', 'Marcha do Carnaval do Estoril' e 'Ó Zé Aperta o Laço' e tantas outras inesquecíveis que a Alvorada registou. O tema 'Figueira da Foz' ficou como um hino maravilhoso e legenda viva da cidade balnear.
Era muito popular embora tímida, demasiado simples para o seu estatuto de artista primeira. Viajou pelo mundo. No Brasil o sucesso enorme entre o Rio e São Paulo. É considerada a 'Melhor Intérprete da Música Portuguesa' e recebe o Troféu da EN.
Representa o país no Grande Festival Internacional da Rádio em Marraqueche. Outro triunfo.
Foi chamada muito justamente como 'A Dama da Canção de Portugal' não só pela atitude que soube dar enquanto pessoa, bem como da perfeitíssima dicção que possuía.
António Fortuna, seu agente e amigo, disse: 'Era Aquela VOZ inalterável'!
Morreu agora. A 1 de Setembro. Fi8ca sempre como a Senhora e Dona MARIA CLARA!
CARLOS CASTRO
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PERIGO DE ABUSO A IDOSOS
O que se passou em Coruche é abominável e espera-se que a mão da Justiça caia pesada sobre os dois indivíduos que mantiveram presos, em condições desumanas, uma sua familiar idosa e seu filho doente, apenas com o objectivo de viverem à custa das suas pensões. Esse calvário de mais de um ano deve garantir uns anos de prisão a esses energúmenos.
Será ingenuidade pensar-se que existe apenas este caso em Portugal e é uma tolice acusar as autoridades de terem levado muito tempo a descobrir o crime. Os crimes de família, que podem ir da violência à exploração dos idosos, passando pelo abuso sexual de crianças e outros desvios, são muito difíceis de descobrir se não houver alguém próximo que os denuncie, visto todos sermos chamados a respeitar a privacidade do próximo. Portanto, um grande trabalho de informação e apoio tem de ser feito nas escolas, nas associações de recreio, nos clubes desportivos, nas associações profissionais, de modo a alargar a rede dos que podem dar o alerta.
Também seria inaceitável julgar-se que apenas no nosso país esses crimes existem. O Canadá, onde vivo, é um país enorme, civilizado, com uma sólida administração inglesa, onde a Justiça funciona rapidamente e a polícia é de grande eficiência ( no caso, a Real Polícia Montada do Canadá, ou RCMP, a única polícia do país, com as subdivisões necessárias que vão da segurança interna e contra-espionagem até à polícia de trânsito). Como se pode calcular, a polícia dispõe de grandes meios tecnológicos, de armamento, viaturas e tudo o mais. E no entanto, há idosos no Canadá que são abusados pela mesma razão que levou os meliantes de Coruche a fazerem o que fizeram. Mais uma vez, o respeito pela privacidade, a interdição de invadir a intimidade do cidadão, faz com que a polícia tenha dificuldade em aperceber-se do que se passa. É aí que se conta com a colaboração do pessoal escolar, dos centros comunitários, das agências de apoio social, etc. Aposta-se tudo na educação e na informação. E as coisas vão funcionando porque, sabendo as pessoas onde se devem dirigir e as garantias de sigilo com que podem contar, é mais fácil arranjarem coragem para denunciar os crimes. Além de que é garantida a prisão de quem prevaricou e a família atingida é de imediato amparada e orientada pelos serviços públicos.
Por outro lado, nesta monarquia parlamentar que tem por chefe do estado a Rainha Isabel II de Inglaterra, todos nós, uns milhões provenientes de 160 países, somos chamados a ser parte activa da democracia baseada no respeito, na igualdade perante a lei, na liberdade responsável. E assim se compreenderá que, havendo abuso de idosos também na comunidade portuguesa, um grupo de mulheres idosas portuguesas, o Portuguese Women 55 + , nado e criado numa modelar instituição de solidariedade social do Canadá, a Saint Christopher House, sob a exemplar direcção da moçambicana Odete Nascimento e a coordenação da ribatejana Isabel Palmar, mantenha um grupo de teatro mudo, mas extraordinariamente espressivo, em que esses casos são denunciados. O grupo, que já leva uns bons anos de vida, não tem mãos a medir, convidado que é a actuar nos centros de outras comunidades étnicas (até na chinesa!) e em hospitais. E a mensagem passa de lado a lado, corre por aí, alerta consciências, encoraja pessoas. É um poderoso meio de colaboração com as autoridades. E nem sequer é caro nem complicado. Qualquer clube, qualquer associação, em qualquer aldeia ou vila, pode organizar o mesmo. Onde a educação não é um dado adquirido, é preciso ajudar com a informação, mobilizando boas vontades de profissionais que, também eles, não sabem de tudo o que se passa.
Creio que é legítimo, salutar e urgente ajudar a acabar com a chaga social do abuso a idosos, crianças e mulheres.
=o=o=o=o=
O que se passou em Coruche é abominável e espera-se que a mão da Justiça caia pesada sobre os dois indivíduos que mantiveram presos, em condições desumanas, uma sua familiar idosa e seu filho doente, apenas com o objectivo de viverem à custa das suas pensões. Esse calvário de mais de um ano deve garantir uns anos de prisão a esses energúmenos.
Será ingenuidade pensar-se que existe apenas este caso em Portugal e é uma tolice acusar as autoridades de terem levado muito tempo a descobrir o crime. Os crimes de família, que podem ir da violência à exploração dos idosos, passando pelo abuso sexual de crianças e outros desvios, são muito difíceis de descobrir se não houver alguém próximo que os denuncie, visto todos sermos chamados a respeitar a privacidade do próximo. Portanto, um grande trabalho de informação e apoio tem de ser feito nas escolas, nas associações de recreio, nos clubes desportivos, nas associações profissionais, de modo a alargar a rede dos que podem dar o alerta.
Também seria inaceitável julgar-se que apenas no nosso país esses crimes existem. O Canadá, onde vivo, é um país enorme, civilizado, com uma sólida administração inglesa, onde a Justiça funciona rapidamente e a polícia é de grande eficiência ( no caso, a Real Polícia Montada do Canadá, ou RCMP, a única polícia do país, com as subdivisões necessárias que vão da segurança interna e contra-espionagem até à polícia de trânsito). Como se pode calcular, a polícia dispõe de grandes meios tecnológicos, de armamento, viaturas e tudo o mais. E no entanto, há idosos no Canadá que são abusados pela mesma razão que levou os meliantes de Coruche a fazerem o que fizeram. Mais uma vez, o respeito pela privacidade, a interdição de invadir a intimidade do cidadão, faz com que a polícia tenha dificuldade em aperceber-se do que se passa. É aí que se conta com a colaboração do pessoal escolar, dos centros comunitários, das agências de apoio social, etc. Aposta-se tudo na educação e na informação. E as coisas vão funcionando porque, sabendo as pessoas onde se devem dirigir e as garantias de sigilo com que podem contar, é mais fácil arranjarem coragem para denunciar os crimes. Além de que é garantida a prisão de quem prevaricou e a família atingida é de imediato amparada e orientada pelos serviços públicos.
Por outro lado, nesta monarquia parlamentar que tem por chefe do estado a Rainha Isabel II de Inglaterra, todos nós, uns milhões provenientes de 160 países, somos chamados a ser parte activa da democracia baseada no respeito, na igualdade perante a lei, na liberdade responsável. E assim se compreenderá que, havendo abuso de idosos também na comunidade portuguesa, um grupo de mulheres idosas portuguesas, o Portuguese Women 55 + , nado e criado numa modelar instituição de solidariedade social do Canadá, a Saint Christopher House, sob a exemplar direcção da moçambicana Odete Nascimento e a coordenação da ribatejana Isabel Palmar, mantenha um grupo de teatro mudo, mas extraordinariamente espressivo, em que esses casos são denunciados. O grupo, que já leva uns bons anos de vida, não tem mãos a medir, convidado que é a actuar nos centros de outras comunidades étnicas (até na chinesa!) e em hospitais. E a mensagem passa de lado a lado, corre por aí, alerta consciências, encoraja pessoas. É um poderoso meio de colaboração com as autoridades. E nem sequer é caro nem complicado. Qualquer clube, qualquer associação, em qualquer aldeia ou vila, pode organizar o mesmo. Onde a educação não é um dado adquirido, é preciso ajudar com a informação, mobilizando boas vontades de profissionais que, também eles, não sabem de tudo o que se passa.
Creio que é legítimo, salutar e urgente ajudar a acabar com a chaga social do abuso a idosos, crianças e mulheres.
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segunda-feira, setembro 07, 2009
Candidatura à Assembleia da República do Tirsense Manuel Mirra (Advogado)

Minhas Amigas e Meus Amigos, Portugal, o distrito do Porto, e muito particularmente o concelho de Santo Tirso, vivem momentos dramáticos de crise económica e social. Portugal, o distrito do Porto e Santo Tirso afastam-se da Europa e empobrecem em termos relativos. O poder de compra em Portugal, no distrito do Porto e em Santo Tirso é inferior a muitos países de Leste e está a degradar-se. Portugal apresenta um nível de endividamento preocupante e insustentável. Mas a crise que nos assola não é apenas financeira, económica e social. Pior do que isso, é também uma crise de valores, de atitudes e comportamentos. Em Santo Tirso, o desemprego atingiu números assustadores, mas em todo o país a Justiça está desacreditada, o Sistema de Saúde doente, a Educação com notas negativas, a Economia sem crédito e à deriva e tudo graças à desastrosa governação socialista, sobretudo dos últimos 4 anos. É, por isso, urgente transformar Portugal. Aos eleitos do Distrito do Porto e aos Tirsenses posso garantir, hoje, na qualidade de candidato a Deputado à Assembleia da República, nas próximas eleições legislativas de 27 de Setembro, máximo empenhamento na defesa dos seus superiores interesses. Percorrerei o Distrito e o Concelho e falarei com todos os Tirsenses numa lógica de proximidade entre eleitores e eleitos. Santo Tirso poderá ter, novamente, uma voz activa no Parlamento. Não é uma questão de prestígio para o Concelho, antes a oportunidade de todos os eleitores do Distrito do Porto e dos Tirsenses contarem com a defesa intransigente dos seus interesses. Cabe aos Portugueses inverter o rumo que o país leva, Cabe aos Tirsenses contribuir para a eleição de um Deputado que represente o seu Concelho.
Para bem de Portugal, do Distrito do Porto e do Concelho de Santo Tirso. Viva Santo Tirso, Viva o Distrito do Porto, Viva Portugal.
= = = = = =
Vai realizar-se. no próximo dia 11 de Setembro, pelas 21.30 horas, na Praça Conde S. Bento, em Santo Tirso, a apresentação pública de todos os candidatos do Concelho de Santo Tirso (às Assembleias de Freguesia, Assembleia Municipal e Câmara Municipal) e dos candidatos a Deputados.
Não falte.
Não falte.
O vício de falhar
A selecção de Portugal desperdiçou mais dois pontos na viagem para o Mundial da África do Sul, ao empatar a um golo em Copenhaga com a Dinamarca, com um golo do estreante Liedson, num jogo de altíssima competitividade, mas apenas após mais de 30 remates desperdiçados, a confirmar o vício de falhar frente à baliza que tem caracterizado esta campanha. Pode ter sido um recorde de remates à baliza num jogo fora de casa...Ler notícia completa
Adapt: Mano Belmonte
sexta-feira, setembro 04, 2009
Galileu abriu a janela do Universo
De cada vez que um novo instrumento nos permite ver mais longe, ou nos abre novas janelas para os mundos que antes eram invisíveis, aprendemos mais sobre a Natureza e sobre nós mesmos. Foi o que aconteceu há precisamente 400 anos, quando o italiano Galileu Galilei apontou o seu telescópio para os céus, mudando definitivamente a nossa concepção dos astros e, mais importante, o nosso lugar no Universo.Ler artigo completo
Adapt: Mano Belmonte
Último Tango
'Último Tango' é o título do espectáculo que a companhia argentina Tango Pasión apresenta, no auditório dos Oceanos, Casino Lisboa, Parque das Nações. Trata-se de um espectáculo que prima pelo ritmo e pelo colorido e que se oferece ao espectador como uma homenagem ao Tango, esse género musical que nasceu ainda no século XIX na América Latina - nomeadamente na Argentina e no Uruguai - e que desde então se espalhou pelo resto do Mundo, captando um número crescente de adeptos.Ler artigo completo
Adapt: Mano Belmonte
Morreu cão mais velho do Mundo
Aprovado nome de Raul Solnado para o Capitólio

A Câmara de Lisboa aprovou, por unanimidade, a proposta do presidente António Costa para atribuição do nome de Raul Solnado ao Cine-Teatro Capitólio, no Parque Mayer...
Ler notícia completa
Adapt: Mano Belmonte
Coração traiu Zoio
José João Zoio, cavaleiro tauromático já retirado, morreu na noite de segunda-feira, vítima de paragem cardíaca, em casa, na Praia das Maçãs, Sintra. Momentos antes Zoio regressava a casa após ter estado com amigos. No percurso sentiu-se mal, estacionou e pediu ajuda, e ainda conseguiu chegar a casa, onde viria a falecer. O funeral realizou-se, com missa na Igreja dde Colares, Sintra, para o Cemitério de Rio de Mouro, onde será cremado...Ler notícia completa
Adapt: Mano Belmonte
quarta-feira, setembro 02, 2009
terça-feira, setembro 01, 2009
Carta do Canadá
BANDEIRAS & BANDEIRAS
Achei graça àquela rapaziada do 31 da Armada que, pela noite, foi à varanda da Câmara Municipal de Lisboa tirar o pendão da cidade e hastear uma bandeira nacional, a monárquica, mais velha do que a republicana. E achei pilhas a terem ido entregar o pendão, devidamente lavado engomado, o que presume que estava sujo e maltratado, o que não admira mesmo nada. Os republicanos são desleixados com a sua bandeira: não a mandaram com as tropas portuguesas a combater nas trincheiras da guerra de 1914-18, tendo um conde residente em Paris de pagar do seu bolso as bandeiras que haveriam de cobrir os caixões por lhe parecer ser o mínimo de dignidade a conferir a um soldado que tomba pela Pátria, houve quem a pisasse nas ruas de Londres a pretexto de não gostar da presença de Marcello Caetano ( e o nome inteiro do artista foi segredo que levou para a cova o general Galvão de Melo, que apanhou uma fotografia da façanha quando presidiu à extinção da Pide), e até houve militares que arrastaram a bandeira verde-rubra pelo chão, alguns deles em cuecas, na pressa da descolonização a que um cómico chamou exemplar. Dá que pensar a falta de respeito que alguns republicanos têm demonstrado pela sua bandeira, sem que a polícia os tenha prendido com aquele alarido que convém a quem quer dar exemplos. E ainda dá mais que pensar o nunca ter havido nenhum monárquico que fizesse o mesmo à bandeira dos republicanos.
A única vez que vi um monárquico a afrontar a bandeira verde-rubra foi há uns anos bem puxados. Um amigo meu, monárquico dos quatro costados, que tinha a bandeira branca com as quinas e a coroa hasteada dia e noite na frontaria da sua casa, regressou do exílio no Brasil para onde o mandaram as ameaças de morte duns comunistas que, feitas as contas, apenas queriam palmar-lhe próspero negócio de que dispunha em Lisboa. Deram com os burros na água, como aliás em tudo quanto essa gente roubou sem saber o que era trabalho e gestão. Ora, quando o meu amigo chegou de novo a sua casa, o povo daquele lugar quis festejar em grande, com banda de música, foguetes, uma grande multidão e à frente a bandeira verde-rubra. Quando tal viu, o meu amigo, a rilhar a boquilha, berrou do alto da escada: "Vocês entram, mas a porca não entra!". Pronto, foi ali um desassossego, cada qual a procurar o bicho, e nada. E gritaram: "Oh senhor, mas onde é que a porca se meteu?" E o regressado a explicar: "Essa bandeira! Foi à sombra dela que se perdeu o império e se desgraçou Portugal" O povo chamou a polícia? Houve tareia e cabeças partidas? Qual quê! Enrolaram a bandeira, deixaram-na encostada fora do portão, e foram-se dali abraçar o amigo de sempre, comeram, bebebram, cantaram, foi uma festa em grande. Em tantos anos que já levo de vida, apenas vi este gesto de afronta. Mas, valha a verdade, aquele povo era livre de dar uma sova ao meu amigo, e não o fez, foi livre de escolher e escolheu. Quem sabe se é por sentir que o povo tem lá no fundo "qualquer coisa", que o actual regime não quer ouvir falar em referendo.
Como se pode imaginar, ainda consegui achar mais graça a isso de terem chamado a PJ e de esta, com fama de lenta, ter aparecido logo e levado os rapazes a perguntas, tendo constituído um arguido. Muito nervoso anda o regime para perder a cabeça por uma rapaziada... Os monárquicos agradecem.
Ainda por cima polémica, a bandeira republicana. Apercebi-me disso quando um velho e honrado bombeiro de Tomar, o Jorge Godinho, me ofereceu a bandeira com que a cidade festejou a chegada da República. Uma bandeira estranha, azul e branca, com uma risca vermelha e a palavra Liberdade por cima das quinas. Feita à pressa, segundo as indicações que o Jorge tinha colhido em Lisboa. Ao tempo rapaz novo, de sangue guelra e atrevido, a gostar de cocar tudo, e daí ter ficado coma a alcunha do Jorge Cocão, era ele o mensageiro escolhido pelos republicanos de Tomar para, sem dar nas vistas, ir a Lisboa buscar notícias junto dos maioriais da revolução a vir. Da última vez que veio de Lisboa, reuiniram-se num casebre para os lados do cemitério velho, à luz de candeias. Pequenote, o Jorge subiu a uma mesa, rubro de entusiasmo, abriu a camisa e comunicou: "A revolução está quase a rebentar! E eu dou o meu peito às balas!" Foi nessa altura que rebentaram uns petardos à porta de casa, malandrice dos talassas. E foi um vê se te avias de republicanos a deitarem-se no chão e a meterem-se debaixo da mesa. Depois de serenados, o Jorge contou que tinha visto a bandeira republicana e relatou-a em pormenor. Quando a República foi imposta ao país pelo telégrafo, em Tomar fez-se uma manifestação na que é hoje a Praça da República, e lá estava a bandeira que hoje deve estar entre os meus parcos haveres em Portugal. Uma mulher assomou à varanda da câmara, torceu e vergou uma pena de prata e gritou: "Acabou a Monarquia". É o que se chama ficar tudo ela por ela.
Mas eu fiquei sempre muito desconfiada. E apertei com o bombeiro:
-Oh Zorze (eu e Chico Porto chamávamos-lhe assim), mas onde raio é que fizeram a bandeira, os de Lisboa?
-Oh menina, eu cá o que me disseram em Lisboa é que ela tinha sido feita numa loja maçónica em Espanha.
-Pode lá ser, Zorze!.
-Ai não, que não pode, capazes disso e muito mais eram eles. Basta ver o que fizeram a seguir, foram 16 anos de miséria e vergonha. E esses de agora vão pelo mesmo. Sabe que mais, menina? Tudo uma corja!
E realmente isto é tudo mau demais. Tão mau que até o Saramago se esqueceu que tem telhados de vidro. Anda à pedrada e um dia destes fazem-lhe a biografia. Isto é que vai um ano!
=o=o=o=o=o=
Achei graça àquela rapaziada do 31 da Armada que, pela noite, foi à varanda da Câmara Municipal de Lisboa tirar o pendão da cidade e hastear uma bandeira nacional, a monárquica, mais velha do que a republicana. E achei pilhas a terem ido entregar o pendão, devidamente lavado engomado, o que presume que estava sujo e maltratado, o que não admira mesmo nada. Os republicanos são desleixados com a sua bandeira: não a mandaram com as tropas portuguesas a combater nas trincheiras da guerra de 1914-18, tendo um conde residente em Paris de pagar do seu bolso as bandeiras que haveriam de cobrir os caixões por lhe parecer ser o mínimo de dignidade a conferir a um soldado que tomba pela Pátria, houve quem a pisasse nas ruas de Londres a pretexto de não gostar da presença de Marcello Caetano ( e o nome inteiro do artista foi segredo que levou para a cova o general Galvão de Melo, que apanhou uma fotografia da façanha quando presidiu à extinção da Pide), e até houve militares que arrastaram a bandeira verde-rubra pelo chão, alguns deles em cuecas, na pressa da descolonização a que um cómico chamou exemplar. Dá que pensar a falta de respeito que alguns republicanos têm demonstrado pela sua bandeira, sem que a polícia os tenha prendido com aquele alarido que convém a quem quer dar exemplos. E ainda dá mais que pensar o nunca ter havido nenhum monárquico que fizesse o mesmo à bandeira dos republicanos.
A única vez que vi um monárquico a afrontar a bandeira verde-rubra foi há uns anos bem puxados. Um amigo meu, monárquico dos quatro costados, que tinha a bandeira branca com as quinas e a coroa hasteada dia e noite na frontaria da sua casa, regressou do exílio no Brasil para onde o mandaram as ameaças de morte duns comunistas que, feitas as contas, apenas queriam palmar-lhe próspero negócio de que dispunha em Lisboa. Deram com os burros na água, como aliás em tudo quanto essa gente roubou sem saber o que era trabalho e gestão. Ora, quando o meu amigo chegou de novo a sua casa, o povo daquele lugar quis festejar em grande, com banda de música, foguetes, uma grande multidão e à frente a bandeira verde-rubra. Quando tal viu, o meu amigo, a rilhar a boquilha, berrou do alto da escada: "Vocês entram, mas a porca não entra!". Pronto, foi ali um desassossego, cada qual a procurar o bicho, e nada. E gritaram: "Oh senhor, mas onde é que a porca se meteu?" E o regressado a explicar: "Essa bandeira! Foi à sombra dela que se perdeu o império e se desgraçou Portugal" O povo chamou a polícia? Houve tareia e cabeças partidas? Qual quê! Enrolaram a bandeira, deixaram-na encostada fora do portão, e foram-se dali abraçar o amigo de sempre, comeram, bebebram, cantaram, foi uma festa em grande. Em tantos anos que já levo de vida, apenas vi este gesto de afronta. Mas, valha a verdade, aquele povo era livre de dar uma sova ao meu amigo, e não o fez, foi livre de escolher e escolheu. Quem sabe se é por sentir que o povo tem lá no fundo "qualquer coisa", que o actual regime não quer ouvir falar em referendo.
Como se pode imaginar, ainda consegui achar mais graça a isso de terem chamado a PJ e de esta, com fama de lenta, ter aparecido logo e levado os rapazes a perguntas, tendo constituído um arguido. Muito nervoso anda o regime para perder a cabeça por uma rapaziada... Os monárquicos agradecem.
Ainda por cima polémica, a bandeira republicana. Apercebi-me disso quando um velho e honrado bombeiro de Tomar, o Jorge Godinho, me ofereceu a bandeira com que a cidade festejou a chegada da República. Uma bandeira estranha, azul e branca, com uma risca vermelha e a palavra Liberdade por cima das quinas. Feita à pressa, segundo as indicações que o Jorge tinha colhido em Lisboa. Ao tempo rapaz novo, de sangue guelra e atrevido, a gostar de cocar tudo, e daí ter ficado coma a alcunha do Jorge Cocão, era ele o mensageiro escolhido pelos republicanos de Tomar para, sem dar nas vistas, ir a Lisboa buscar notícias junto dos maioriais da revolução a vir. Da última vez que veio de Lisboa, reuiniram-se num casebre para os lados do cemitério velho, à luz de candeias. Pequenote, o Jorge subiu a uma mesa, rubro de entusiasmo, abriu a camisa e comunicou: "A revolução está quase a rebentar! E eu dou o meu peito às balas!" Foi nessa altura que rebentaram uns petardos à porta de casa, malandrice dos talassas. E foi um vê se te avias de republicanos a deitarem-se no chão e a meterem-se debaixo da mesa. Depois de serenados, o Jorge contou que tinha visto a bandeira republicana e relatou-a em pormenor. Quando a República foi imposta ao país pelo telégrafo, em Tomar fez-se uma manifestação na que é hoje a Praça da República, e lá estava a bandeira que hoje deve estar entre os meus parcos haveres em Portugal. Uma mulher assomou à varanda da câmara, torceu e vergou uma pena de prata e gritou: "Acabou a Monarquia". É o que se chama ficar tudo ela por ela.
Mas eu fiquei sempre muito desconfiada. E apertei com o bombeiro:
-Oh Zorze (eu e Chico Porto chamávamos-lhe assim), mas onde raio é que fizeram a bandeira, os de Lisboa?
-Oh menina, eu cá o que me disseram em Lisboa é que ela tinha sido feita numa loja maçónica em Espanha.
-Pode lá ser, Zorze!.
-Ai não, que não pode, capazes disso e muito mais eram eles. Basta ver o que fizeram a seguir, foram 16 anos de miséria e vergonha. E esses de agora vão pelo mesmo. Sabe que mais, menina? Tudo uma corja!
E realmente isto é tudo mau demais. Tão mau que até o Saramago se esqueceu que tem telhados de vidro. Anda à pedrada e um dia destes fazem-lhe a biografia. Isto é que vai um ano!
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Porco rouba diamante em parque...
Aconteceu num parque de exposições de animais na cidade inglesa de Easingworld. um porco chamado Ginger engoliu à má fila um diamante avaliado em 2500 libras (2900 euros) que adornava o anel de uma visitante.Deliciada com os porcos, Ann Moon pôs a mão na cerca do chiqueiro. Atraído pela pedra, Ginger correu para ela e engoliu-a para desespero de Moon. A admnistração do parque espera agora que a natureza faça o seu trabalho.
Fonte: Jornal 'Correio da Manhã'
Adapt: Mano Belmonte
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segunda-feira, agosto 31, 2009
Pedras preciosas nas igrejas históricas
A Diocese de Beja, o Museu Nacional de História Natural e os municípios de Beja e Sines propõem um passeio pelos tesouros artísticos do Baixo Alentejo. Objectivo: reconhecer materiais gemológicos oriundos de diversos continentes. Sob a orientação de Galopim de Carvalho, um pouco de imaginação e gosto pela ciência são o único equipamento necessário para uma navegação inesquecível em que ciência e passado dão as mãos. A Rota levará a participantes a fazerem um percurso sobre regiões, épocas, técnicas e tradições muito distintas.
CRÓNICA DE COIMBRA
NÃO SEJAMOS SAUDOSISTAS
Há países cuja população está a morrer de fome; há países tão longe da Europa que ninguém se lembra de que existem; há outros que vivem em guerra civil constantemente, com problemas raciais e desrespeitando os direitos humanos. Há países governados por ditadores. Outros, divididos por sanguinárias lutas religiosas. Não é o caso de Portugal, que com oito séculos de História, viveu, cerca de 35 anos, uma revolução que criou esperanças na alma de muitos milhares de portugueses. Só que essa confiança, na aquisição de um bem que tanto se desejava, evaporou-se! Ficámos mais míseros! Além de pobre, Portugal é o país mais desigualitário da Europa. O rendimento médio dos 20% dos indivíduos mais ricos é, em Portugal, 7 vezes superior ao dos 20% mais pobres, quando, na Europa, esse número é de quatro. Como se isto não bastasse, junta-se a mobilidade social, que é diminuta, o que significa que os filhos dos pobres continuam a não ter oportunidades de subir na vida. Enfim, "malhas que o Império tece"! Mas, não sejamos saudosistas, o que quer dizer, que olhar o passado, para a nossa História e para tudo o que nos aconteceu, não seja importante. É importante, porque nos permite viver melhor o presente e abrir caminhos para a frente. O passado, é sempre um "tema sagrado" no sentido em que nos pertence e nos define, mas não nos pode deter. Muito pelo contrário.
Há quem viva com a nostalgia do passado e quem olhe para aquilo que viveu como o melhor tempo da sua vida. Acontece, é frequente e até humano, mas uma atitude excessivamente retroactiva, pode impedir-nos de avançar e de mudar aquilo que precisa de ser mudado e melhorado. No entanto, o passado é sagrado, porque é dele que tiramos sentido para o presente e para o futuro e é ele que nos permite ser fiéis a nós próprios no que é essencial. Uma fidelidade profunda, ao nível da consciência e não de uma fidelidade aos acontecimentos ou a certas escolhas que fizemos.
Pensem nisso!
Cruz Santos
Coimbra-Portugal
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